quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Leviatã: o homem é o animal mais perigoso #Oscar2015

A produção russa Leviatã indicada ao Oscar 2015 de melhor filme estrangeiro pode ser definida com uma prática constante na política mundial: corrupção. 

O filme é ambientado em uma pequena cidade russa, longe da potência de Moscou e dos olhos do partido, um prefeito corrupto, desonesto, autoritário e bêbado administra a cidade como se fosse seu pequeno reinado, entre mandos, desmandos, ameaças e cooptações. 

Figuras como o policial corrupto, o promotor que faz vista grossa, o juiz que julga a favor do mais forte têm destaque na trama que envolve Kolia, um cidadão comum, ex-militar e que bebe vodka como se fosse chá de ervas. Sua propriedade foi confiscada ilegalmente pela prefeitura com a finalidade de construir um polo de desenvolvimento econômico para a região. 

Sozinho sem poder apelar para a justiça, que é conivente com o prefeito, ele perde sua propriedade, sua dignidade e sua pouca fé na justiça divina. 

O filme incomoda a quem assiste. A participação do clero, representado por um bispo da igreja ortodoxa russa mostra o lado mais perverso da religião em conluio com a política. Em todas as falas do bispo ele não se cansa de dizer: “Isso será feito tal como Deus quer que seja”.

As cenas do gabinete do prefeito devem ter causado um certo constrangimento ao líder russo Vladmir Putin, devido sua foto na parede com olhar de urso polar encarando as mutretas do prefeito, que entre uma atividade ilícita e outra apenas se preocupa com as próximas eleições. 

No final, a vontade de Deus prevalece na pacata cidade nos confins do gelado e cinzento Mar de Barents, no Ártico.

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