segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Dois dias, uma noite: não existe derrota se você lutou até o fim! #Oscar2015

O novo filme de Marion Cotillard (uma das melhores atrizes francesas de sua geração) traz uma sofrida crítica ao mercado de trabalho e as angústias que o capitalismo gera na classe trabalhadora, entre eles o descarte humano promovido pelas empresas.

Sandra, uma funcionária de uma pequena fábrica no interior da França adoece e precisa se afastar de suas atividades profissionais. Assim que recupera sua saúde ou parte dela, já que a depressão parece não se curar, ela tenta retornar ao emprego, mas é demitida com a desculpa de não fazer falta. “O que antes 17 pessoas faziam, vimos que 16 fazem perfeitamente”, diz seu encarregado.

A selvageria capitalista vai além. A empresa força os funcionários escolherem entre despedir Sandra e receberem um magro bônus, o que afeta drasticamente as relações entre os colegas de trabalho.

Depressiva, desolada, sem emprego e em pânico pelo futuro de sua família, Sandra bate de porta em porta em busca de apoio para que ela permaneça no emprego ao custo de seus colegas perderem o tal bônus.

A jornada da personagem entre negativas e apoios é sofrida, violenta e reveladora. Sandra encontra apoio onde menos imaginava e indiferença onde sempre teve certeza de acolhimento.

Conceitos de solidariedade, coletividade e empatia (a difícil tarefa de se colocar no lugar do outro) acompanham a história que em raríssimos momentos nos levam ao riso.

O contínuo processo de cura dos deprimidos a travar uma luta diária por sua existência parece ser o objetivo da personagem. O destaque fica pelo papel amoroso e companheiro de seu marido, seu grande protetor e incentivador.

Notamos no filme os poucos amigos de Sandra, pouquíssimos por sinal, se mostram realmente anjos da guarda, tal como na vida real.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Leviatã: o homem é o animal mais perigoso #Oscar2015

A produção russa Leviatã indicada ao Oscar 2015 de melhor filme estrangeiro pode ser definida com uma prática constante na política mundial: corrupção. 

O filme é ambientado em uma pequena cidade russa, longe da potência de Moscou e dos olhos do partido, um prefeito corrupto, desonesto, autoritário e bêbado administra a cidade como se fosse seu pequeno reinado, entre mandos, desmandos, ameaças e cooptações. 

Figuras como o policial corrupto, o promotor que faz vista grossa, o juiz que julga a favor do mais forte têm destaque na trama que envolve Kolia, um cidadão comum, ex-militar e que bebe vodka como se fosse chá de ervas. Sua propriedade foi confiscada ilegalmente pela prefeitura com a finalidade de construir um polo de desenvolvimento econômico para a região. 

Sozinho sem poder apelar para a justiça, que é conivente com o prefeito, ele perde sua propriedade, sua dignidade e sua pouca fé na justiça divina. 

O filme incomoda a quem assiste. A participação do clero, representado por um bispo da igreja ortodoxa russa mostra o lado mais perverso da religião em conluio com a política. Em todas as falas do bispo ele não se cansa de dizer: “Isso será feito tal como Deus quer que seja”.

As cenas do gabinete do prefeito devem ter causado um certo constrangimento ao líder russo Vladmir Putin, devido sua foto na parede com olhar de urso polar encarando as mutretas do prefeito, que entre uma atividade ilícita e outra apenas se preocupa com as próximas eleições. 

No final, a vontade de Deus prevalece na pacata cidade nos confins do gelado e cinzento Mar de Barents, no Ártico.